Treino Positivo, questionar é o primeiro passo.

Questionando o método proposto pelo profissional que eu havia contratado, levando em conta bem-estar e respeito ao cachorro

Bruna e Corona
Bruna e Corona

Muitos me perguntam: como você chegou ao treino positivo, como você viu nisso uma profissão?

Para responder, preciso contar uma história:

Corona chegou em nossa casa aos 6 meses, resgatada das ruas. Não sabíamos nada sobre ela, apenas que precisava de um lar. Chegou quieta, doce e silenciosa. Talvez por estar com doença do carrapato, talvez por ainda não se sentir à vontade. Fato é que, os 2 primeiros meses, foram só elogios. Respeitou o tempo de adaptação da Stella, cachorra que já vivia conosco; acertou o xixi no jornal desde o primeiro dia; não destruiu nada, não latiu, não nos deu trabalho. Sorte a nossa, pois ainda não entendíamos nada de treino positivo.

Fato é que, após esses 2 meses de adaptação, após estar curada, Corona começou a nos dar bastante trabalho: puxava bastante nos passeios, latia para todos os cães e destruía (e como destruía) o que via pela frente, quando sozinha em casa.

Tentamos dicas de internet, mas nada parecia funcionar efetivamente. Estávamos desesperados e, nessa altura, com um sofá destruído. Foi quando conseguimos a indicação de um adestrador. Agora sim, parecia que seria tudo resolvido! Recebemos o profissional em casa, e logo de cara: enforcador! Se quiséssemos resolver o passeio, precisávamos usar um enforcador, e bem encurtado. Nada de farejar, apenas caminhar. Isso ajudaria a manter o foco para não latir para outros cães. E se latisse? Trancos na guia e pulso forte resolveriam. Para a destruição em casa, teríamos que comprar folhas de Contact e colar nos móveis, de modo que arrancasse os pelos da pata da Corona, logo que ela subisse, deixando de subir, por sentir dor.

O adestrador foi embora, eu e meu pai nos olhamos desanimados. Usamos o enforcador por uns dias. Resultado: muito mais ansiedade nos passeios, Corona se engasgava e puxava ainda mais. O Contact? Não usamos, não era possível que era preciso dor para resolver aquilo. Questionei o adestrador no retorno e ele me passou uma bibliografia. Era um livro baseado no treino punitivo, mas com informações sobre aprendizado de cães, condicionamento, associações. Me lembrei dos estudos de comportamento animal, durante o curso de Biologia. BINGO! Eu tinha conhecimento para resolver aquilo, só precisava da literatura adequada ao meu ponto de vista!

E foi assim que tudo começou: questionando o método proposto pelo profissional que eu havia contratado, levando em conta bem-estar, respeito ao cachorro e a real necessidade de dor, imposição e medo para ensinar algo para a Corona!

Hoje, Corona ainda é uma cachorra ansiosa, mas lidamos bem com isso, temos um manejo adequado para ela. Não puxa mais nos passeios e nem destrói nada ao ficar sozinha em casa. Sabe esperar, respeita limites. E para isso, não precisamos de força, imposição, medo, dor, liderança. Precisamos entender o que estava por trás daqueles comportamentos e, a partir daí, como poderíamos mudá-los, até que chegássemos a um equilíbrio bom para toda a família, incluindo a Corona!

Quer um conselho? Questione, sempre! Procure saber qual método o profissional que você quer contratar, usa. Se é baseado no respeito ao cachorro e a você, se é baseado em ciência. Acompanhe os treinos, esteja presente! Perceba o quão seu cachorro gosta daquilo e se faz com alegria! Perceba se aquilo te faz bem, se faz bem para sua família. Um bom treinador de cachorros, ajuda você a melhorar sua relação com seu cachorro, com leveza, carinho e respeito!