Por que usar o MÉTODO POSITIVO e educar sem dor ou medo?

Vamos falar sobre o elefante rosa sentado na sala? Sobre esse assunto que parece tabu, ou muitas vezes abordado de forma negativa? Veja aqui o primeiro texto sobre nossa série: A importância do não uso de métodos punitivos.

Foto instagram @pipe.ocao

Atualmente, educar cães se transformou em uma necessidade para todos os tutores. Trata-se de um serviço amplamente oferecido por profissionais de todas as áreas e com todos os tipos de formação. E o que percorre livremente no senso comum é a ideia de um adestramento clássico, em que o cão se comporta quase como um robô.

No entanto, a ciência do comportamento animal mostra que educar um cão, vai muito além de treinar truques ou ensinar “comandos de obediência” (não curto esse termo!). E, infelizmente, essa ideia não é o que a mídia divulga.

O mercado pet é o que mais cresce anualmente e, com certeza, isso abre precedentes para pessoas com a única intenção de ganhar dinheiro, oferecendo serviços de qualidade questionável. Costumo falar para todo tutor que me procura que meu cliente, de fato, é o cachorro, e não o tutor. Nesse sentido, me recuso a utilizar métodos e técnicas que irão resolver o problema do tutor, mas não garantirão o bem-estar do cão. E esse é o motivo desse artigo, pois, infelizmente, a mídia ainda divulga cães aparentemente bem educados, quando, na realidade, eles estão apenas deixando de trazer problemas para seus tutores, mas não estão com suas necessidades básicas atendidas.

Grande parte dos treinadores de cães, hoje em dia, apresenta seu método de trabalho como “positivo”, “livre de punições” ou “sem castigos”. Mas quando acompanho o processo de aprendizado de alguns desses cães ou até mesmo o resultado atingido, fica clara a diferença entre o que é dito e o que se pratica. Penso que, atualmente, nenhum profissional irá se apresentar a um cliente dizendo que irá colocar um enforcador de elos, ou de pinos no pescoço do cachorro e irá apertar esse enforcador até que o cão descubra sozinho (muitas vezes depois de quase perder o ar, pular, saltar ou até tentar morder) que, para se livrar do medo e da dor causadas por esse enforcamento, terá que emitir o comportamento desejado, de se sentar. Essa é a descrição detalhada de como aumentar a frequência de um comportamento desejado utilizando o método do reforço negativo.

Alguém contrataria um treinador de cães que apresentasse seu método dessa forma? Ou então um profissional que dissesse ao tutor que irá ensinar o cão a não puxar no passeio utilizando trancos no enforcador?

Assim, toda vez que ele puxar, receberá um tranco no pescoço, até que perceba que, quando voltar a caminhar ao lado do condutor, esse estímulo aversivo irá cessar. Essa é a descrição detalhada de como diminuir a frequência de um comportamento não desejado utilizando o método da punição positiva.

Grande parte dos tutores procuram profissionais para que resolvam seus problemas com seus cães: não pular, não puxar durante o passeio, não morder as visitas, não latir para as crianças.

No entanto, o mais importante é o processo pelo qual o cão aprenderá tudo isso ou se o método utilizado envolverá dor ou medo.

Não é responsabilidade do tutor ter, de antemão, esse conhecimento. Mas sim do profissional que está sendo contratado. No entanto, como nessa profissão de educador canino não tem nenhum tipo de regulamentação, qualquer pessoa pode se intitular treinador, adestrador ou educador de cães. Basta que outra pessoa confie no seu título e lhe entregue seu cão para ser educado.

É por esse motivo que todo profissional precisa ter conhecimento sobre como os cães aprendem, como funcionam suas capacidades cognitivas, quais são as emoções que vivenciam, como expressam essas emoções por meio da linguagem corporal e sinais de apaziguamento (calming signals), e, principalmente, conhecer, a fundo, os comportamentos específicos da espécie.

A ciência do comportamento vem estudando cada um desses pontos e já foi comprovado que os cães tem diversas funções cognitivas e emoções, sendo capazes até mesmo de compreender a linguagem humana, por meio do vocabulário e da entonação de nossa fala. Nesse sentido, fica evidente a importância de métodos não punitivos para educá-los.

E você? Já parou para pensar sobre qual método de ensino tem sido aplicado com seu dogo? Falaremos mais sobre esse assunto, fique ligado e compartilhe para mais tutores terem acesso a informação.

Conteúdo pela Psicóloga e Educadora Canina desde 2008. Pós-graduada em Comportamento Animal pela UNIFEOB Carol Jardim. Conheça muito mais sobre bem estar e educação canina no perfil da Carol em Turma do Focinho.